I. DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE
HÁ UM ÚNICO DEUS, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, indivisível não sujeito a paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Sustentador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Deus é o poder criador e mantenedor que opera através de toda a vida existente. Deus é uma pessoa. Sua personalidade transcende nossas limitadas personalidades humanas, mas somos feitos semelhantes a Ele, espiritualmente. Ele opera em cada um de nós, e podemos ter amizade pessoal e consciente com Ele.
Deus é amor. Ele ama toda criatura que fez e anela por sua salvação e perfeição. Seu amor não é tão somente desprendido, mas suplica por nosso amor em troca. Não há conflito entre a misericórdia e a justiça de Deus. Ambas emanam de seu amor infinito por seus filhos.
Como definir a Deus? Deus é apenas uma força universal, uma energia? Assim muitos pensam a respeito dele. Mas, na verdade, Deus é um ser pessoal, que tem vontades, pensamento, sentimentos. A Bíblia claramente define Deus como Senhor, portanto, alguém que tem domínio sobre a própria vontade. A maior prova da personalidade de Deus está no fato de Ele amar aos homens, indistintamente e de modo eterno. João 3:16 nos diz: “ Porque Deus AMOU o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna”. Como poderia uma força ou energia demonstrar tal nobreza de sentimento? Impossível!
Mas a Bíblia mostra algum contraste entre os falsos deuses e o Senhor? Que contraste é traçado na Escrituras de que o Criador é o Deus verdadeiro e os outros falsos deuses? Jr 10:11-16 nos dá a resposta: Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo destes céus. O SENHOR fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus. Fazendo ele ribombar o trovão, logo há tumulto de águas no céu, e sobem os vapores das extremidades da terra; ele cria os relâmpagos para a chuva e dos seus depósitos faz sair o vento. Todo homem se tornou estúpido e não tem saber; todo ourives é envergonhado pela imagem que ele mesmo esculpiu; pois as suas imagens são mentira, e nelas não há fôlego. Vaidade são, obra ridícula; no tempo do seu castigo, virão a perecer. Não é semelhante a estas Aquele que é a Porção de Jacó; porque ele é o Criador de todas as coisas, e Israel é a tribo da sua herança; SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
O Deus da Bíblia, o Deus verdadeiro é o Criador, incriado, não foi feito pelas mãos dos homens. Ele é a causa primeira do Universo, o seu originador.
Mas a possibilidade de ser crer em outros deuses?
Nos Dez mandamentos, o Senhor diz claramente a Moisés: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20:3). Ora, se houve esta preocupação, é porque haveria a possibilidade de se adorar outros deuses que não o Senhor. Lutero, o grande reformador do séc. XVI, afirmou que “tudo o que ocupa o lugar de Deus em nosso coração torna-se o nosso ídolo”. Não estamos falando aqui apenas de imagens esculpidas ou pintadas, mas da primazia de qualquer coisa sobre o Senhor. Seu carro pode ser o seu deus; seus emprego pode ser o seu deus; seus amigos podem ser o seu deus; sua posição social pode ser o seu deus. Isso não significa que não possamos ter um bom carro, um bom emprego, bons amigos e uma posição social privilegiada. Mas, se isso toma o lugar de Deus em minha via, algo está errado.
Em Mateus 4, Jesus estava sendo tentado pelo Diabo, o inimigo de nossas almas. Uma das propostas que fez a Jesus durante a tentação foi a seguinte: “Tudo isso te darei, se prostrado me adorares” (Mt 4:9). Ele queria adoração, ele queria o lugar que é devido apenas a Deus. Mas Jesus, usando a Palavra de Deus, deu-lhe uma resposta clara: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto (Mt 4:10).
A Bíblia é enfática em relação à idolatria. Êxodo 20:4-6 nos traz a proibição de se adorar a criatura em vez do Criador. O Salmo 97:7, diz: “Sejam confundidos todos os que servem a imagens de escultura, os que se gloriam de ídolos; prostrem-se diante dele todos os deuses.” O Salmo 115:1-9, chega a comparar a imobilidade dos ídolos aos que os adoram, dizendo: “tornem-se semelhantes a eles…”. E São João, o Apóstolo, conclama os seus discípulos a guardar-se da idolatria (I Jo 5:21).
Interessante, o Novo Testamento nos manda evitar o pecado, mas fugir de apenas duas coisas: 1 Coríntios 6:18 diz: Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. E 1 Coríntios 10:14: Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Por que isso? Porque tanto a impureza sexual, as relações ilícitas, a fornicação, quanto a idolatria caminham juntas. Basta ver que nos cultos pagãos, normalmente, uma coisa estava associada a outra. Nos dois casos, é servir à criatura.
Portanto, idolatria não é apenas curvar-se diante de imagens religiosas. Ef 5:5 diz que a avareza, o amor ao dinheiro, é idolatria também.
Este curso que estamos fazendo é uma preparação para que você, ao final, esteja apto para ser confirmado pelo Bispo e tornar-se membro pleno da Igreja Anglicana Reformada. Porém, de nada adianta ser membro da igreja, se nossa postura não é de adorador. A Bíblia afirma que Deus quer mais que apenas membros de Igrejas. Ele quer e procura adoradores. “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” Jo 4:23,24. Fazer a Pública Profissão de Fé pode ser apenas um gesto litúrgico e um fato social, se não vier acompanhado de uma clara disposição do coração em ter ao Senhor como único Deus, digno de toda a nossa adoração e louvor.
Para pensar: Em que consiste a adoração? Em culto ou em outras atitudes também?
Para que foi criado o homem?
Tudo o que Deus fez tem um fim específico, nada na criação está deslocado ou sem valor, ou mesmo sem função. Outro dia ouvi uma pessoa dizer: “Nossa, porque será que Deus criou bichos tão nojentos como sapos e lagartixas?”. Você já pensou na quantidade de insetos que nos incomodariam, transmitiriam doenças e outros males, se não fossem os sapos e a as lagartixas? E se não fossem os insetos, será que a polinização das plantas não seria dificultada?
Assim também com as pessoas. O Salmo 73:25 nos diz: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra”. Nosso prazer, segundo o texto, é Deus. Também II Co 6:18: “serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”. Fomos criados, portanto, para termos um relacionamento familiar com Deus, sermos seus filhos e o amarmos de todo o nosso coração.
A SANTÍSSIMA TRINDADE
Os Credos históricos da Igreja Cristã são triniários, ou seja, afirmam a nossa crença de que Deus é apenas um, mas se revela em três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Este mistério de nossa fé foi um dos distintivos da Igreja cristã nos primeiros séculos, quando havia muitas controvérsias a respeito da Trindade, das duas naturezas de Cristo e da personalidade e divindade do Espírito Santo. O Credo apostólico, o Credo Niceno-Constantinopolitano e o Credo Atanasiano são declarações bíblicas, teológicas e pastorais do consenso da Igreja antiga sobre esse assunto.
A Bíblia nos dá irrefutáveis provas da Trindade:
Gn1:26,27: O verbo “façamos” está no plural;
Gn18:1-3: Abraão recebeu a visita do Senhor…eram três;
Isaías 6:2,3e 6: Deus é chamado de “Santo, Santo, Santo…” e pergunta: “quem há de ir por nós?” (plural);
Mateus 3:16,17: No batismo de Jesus,a Trindade se manifestou: Jesus sendo batizado, a Voz do Pai e o Espírito Santo na forma de pomba;
Mateus 28:19: Jesus manda-nos batizar em nome da Trindade;
João 14:9: Jesus se declara igual ao Pai dizendo que Ele e o Pai são um;
João 20:28: Tomé, após a ressurreição afirma a divindade de Jesus Cristo e não é repreendido por Jesus ao fazer esta afirmação;
Atos 5:3-5: Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo, mentindo assim a Deus.
É importante entender que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor (Pv 1:7). Temor não é medo, é uma profunda reverência que nos incentiva a não entristecer ou magoar aquele a quem amamos. Precisamos ter esse sentimento em nosso coração e em nossa relação com Deus.
Quando deixamos de lado esse temor, o pecado pode tomar conta de nosso coração e assim a nossa comunhão com Deus ser quebrada. Oséias 4:1 nos diz que “Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus.”Contenda é conflito, falta de entendimento, de harmonia. E a causa disso é falta de verdade (mentira), falta de amor e falta de conhecimento de Deus, portanto, pecado. Romanos 3:23 nos diz “Todos pecados e destituídos estão da glória de Deus”.
Porém, o grande desejo do coração de Deus é ter conosco uma relação de amizade, de comunhão. “E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça. Não nos recomendamos novamente a vós outros; pelo contrário, damo-vos ensejo de vos gloriardes por nossa causa, para que tenhais o que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração. Porque, se enlouquecemos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós outros. Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.(II Co 5:11-21). O Grande desejo de Deus é a nossa reconciliação com Ele através de Jesus Cristo.
Lembre-se de que Deus o ama e JAMAIS o abandona. Por piores que sejam as provações, as lutas, ele caminha conosco, dá-nos de sua graça e nos disciplina em amor. Embora, muitas vezes, sejamos infiéis, ele é fiel e nunca nos desampara.
Quando entregamos o nosso caminho a Ele, sem dúvida, Ele faz o melhor por nós e para nós.
Ao criar o homem, Deus quis ter com ele um relacionamento sadio, firmado no companheirismo e no caminhar diário. Mas o pecado negou ao homem esta possibilidade. Mas Deus providenciou para nós a Grande Salvação em Cristo. Aleluia!!!