Anglicanismo e História (II)

A Reforma Religiosa na Inglaterra pode ser interpretada como a recuperação da supremacia do rei diante de papado, separando não somente religiosamente, mas também , política, jurídica, e economicamente de Roma. A grande diferença da Reforma Religiosa Inglesa comparando com a Reforma religiosa Europeia, é a participacao do Parlamento. Todas as reformas religiosas por Henrique VIII, Eduardo VI e Rainha Maria foram executadas legalmente com a aprovação do Parlamento. Portanto, a carateristica da reforma religiosa inglesa foi uma ação do país.

O estabelecimento da supremacia do rei na Inglaterra foi realizado pela anulação do casamento de Henrique VIII. O que Henrique VIII pediu ao Papa Clement VII foi uma declaraçõa do Papa, confirmando que o casamento entre Henrique VIII e a viúva do seu irmão Artur não existia desde o começo, conforme a proibição de Levítico 18:16. Em 1527, Henrique oficializou seu pedido a Clemente VII. E no mesmo ano, 6 de maio, o exército espanhol invadiu na cidade de Roma e ocupou a cidade. E, consequentemente, o Papa Clemente VII ficou sob o olhar vigilante de Rei espanhol Carlos V. Ele não tinha a condição de prejudicar a tia do Rei Carlos V, Catarina de Aragão. Clemente VII concordou a enviar seu embaixador especial a Inglaterra para examinar o caso. Mas o corte promovido pelo embaixador papal encerrou sua atividade sem dar nenhuma decisão em 22 de julho de1529. Neste momento, Henrique VIII desistiu a solucionar seu problema pela autoridade papal e comecou a procurar a solução no Parlamento, através da legalização do caso. Em 1529, o Parlamento começou a discutir as reformas. Mas ao fim de três anos, não houve progresso. Mas quando Thomas Cromwell começou a ter sua liderança no Parlamento, o mesmo legalizou muitas leis contra o domínio romano na Inglaterra. Em 1532, o Parlamento tirou o poder legislativo do Sínodo da Igreja e declarou que o rei seria chefe da Igreja inglesa. Em 1533, proibiu o direito de apelo à Corte papal de Roma. E no mesmo ano, Thomas Cranmer tornou-se o Arcebispo de Cantuária e anulou o casamento entre Henrique VIII e Catarina e validou o casamento entre Henrique e Ana Bolena. Em 1534, o Parlamento decretou a Lei de Supremacia do Rei e declarou que a Inglaterra é um país independente e não recebe nenhuma influência da autoridade externa e o Rei da Inglaterra é o Chefe do Estado e ao mesmo tempo, o chefe supremo da Igreja da Inglaterra na terra (Supreme Head on earth of the Church of England). Com isso, todo poder administrativo, jurídico e fiscal na Inglaterra passou à mão de rei. Mas Henrique não quis intrometer-se no assunto da igreja como sermão, os sacramentos, excomunhão etc. Em 1537, Henrique VIII autorizou a tradução da Bíblia em inglês, atendendo aos pedidos de Thomas Cromwell e Thomas Cranmer.

Em 28 de janeiro de1547, Henrique VIII morreu e Eduardo VI o sucedeu. E o Arcebispo Cranmer comecou, livremente, a reforma na Igreja. O Parlamento aprovou a Lei da uniformidade do culto e foi publicado o primeiro Livro de Oraçãoo Comum em 21 de janeiro de 1549. O objetivo do primeiro LOC era estabelecer a uniformidade do culto no país e excluir os elementos não-bíblicos do culto, apesar que não negar a tradição católica (universal).

Em abril de 1552, o Parlamento aprovou a Segunda Lei da uniformidade do culto e determinou o uso de um novo LOC a partir do Dia de Todos os Santos. Comparado com o primeiro LOC, este foi mais protestante, eliminando os usos das expressões como Missa, Altar, Sacrifício e enfatizou a Igreja inglesa como Igreja Nacional. Também proibiu os costumes, gestos, paramentos e ornamentação no altar ligados à Igreja Romana.

Em 1552, o Parlamento decretou os 42 Artigos ,sob a orientação do Arcebispo Cranmer. Ele quis excluir as crenças medievais (não-bíblicas) e ao mesmo tempo, quis preservar a Igreja inglesa na fé católica (universal). Portanto, os 42 Artigos não eram um Credo da Igreja inglesa, mas apenas uma explicação da fé.

Em julho de 1553, Rainha Maria I sucedeu o reinado pela morte de Rei Eduardo VI. E ela revogou a Lei de supremacia do rei, e a Lei da Uniformidade do Culto e determinou a volta da Igreja inglesa para a Igreja Romana. Para isso, ela, primeiramente, queimou os líderes religiosos como Arcebispo Cranmer e outros, acusando-os como os hereges.

Em 17 de novembro de 1558, a Rainha Elizabeth I sucedeu o reinado pela morte de Maria I. E em 28 de abril de 1559, o Parlamento, novamente, aprovou a Lei de Supremacia do Rei e a Lei da Uniformidade do Culto. Elizabete I rejeitou o extremo de protestantismo e catolicismo romano e procurou a terceira opção, chamada “a solucao religiosa de Elizabeth”. Assim, definitivamente, surgiu a Igreja Inglesa estabelecida pela Lei Nacional. Elizabeth não quis usar a expressão “Chefe supremo da Igreja na terra” e usou a expressão “Governador supremo da Igreja na Inglaterra”. Através de novas leis, Elizabeth I obrigou os ministros ordenados a usar obrigatoriamente os paramentos clericais. E com a aprovação do Parlamento, ela publicou o Terceiro LOC que mais voltado ao Primeiro LOC. Elizabeth I tomou sua atitude moderada aos católicos romanos nos primeiros 10 anos de reinado. Portanto, a cerca de 200 sacerdotes dentro de 8 mil deixaram a Igreja rejeitando as novas Leis. Sucedendo o último Arcebispo romano de Cantuária, Reginald Pule, Matthew Parker, em 1559, tornou-se o Arcebispo de Cantuária, sagrado por quatro bispos no Palácio de Lambeth, utilizando o Rito do LOC de 1552.

Em 1563, o Sínodo aprovou os 39 Artigos (na época da Rainha Maria I, os 42 Artigos foram revogados), modificando, parcialmente, os 42 Artigos. Em 1570, o Parlamento aprovou os 39 Artigos como o princípio com que todos os ministros ordenados, universitários e os funcionários públicos deveriam concordar (hoje, em desuso). Os 39 Artigos esclareceram a posição doutrinal da Igreja Anglicana diante da Igreja Romana e da Igreja Protestante. E eles deram as grandes influências da Comunhao Anglicana, mas eles não foram uma confissão da fé como o Credo Niceno ou o Credo Apostólico. Quando os leigos não podessem concordar com os 39 Artigos, eles poderiam continuar membros da Igreja Anglicana. (Elizabeth I tirou o Artigo 29 mas o Sínodo, em 1571, reaprovou a inclusão de Artigo 29 e os romanistas, definitivamente, saíram da Igreja Anglicana. Desde 1865, os clérigos somente foram requisitados para confirmar de que LOC contem todas as doutrinas da Igreja Anglicana e não podem ensinar contrariando os 39 Artigos ).

Em 1570, Papa Pio V publicou Bula Regnans in excelsis e excomungou Elizabeth I e aqui houve a separação definitiva da Igreja Romana.

A teologia do Episcopado da Igreja Anglicana foi estabelecida pelos reformadores anglicanos no Seculo XVI: Os reformadores pensaram que nos separamos de Roma mas nunca separamos da Igreja de Jesus Cristo, que o episcopado é único e o papado somente faz a parte deste episcopado, e também, defenderam que antigamente, a Igreja de Roma transmitiu corretamente o evangelho. O Arcebispo de Cantuária John Whitgift (1583-1604) considerou que o episcopado faz a parte essencial da Igreja universal como a maneira da administração da Igreja, mas não considerou que a Igreja sem episcopado não possa dar a salvação e considerou que o episcopado não é a essência da Igreja ou a condição para obter a salvação. Richard Hooker dividiu a igreja em visível e invisível e definiu a igreja visível como a igreja que possui o sinal de único Senhor, único Batismo, única fé e a igreja invisível é conhecida somente por Deus. E ele defendeu que a Reforma religiosa não significa a separação da igreja visível e a Igreja Anglicana continua sendo a parte da uma igreja católica e que a Igreja Romana e a Igreja Anglicana fazem parte de uma Igreja católica visível. A Igreja cria a ordem eclesiástica e governa-a, mas a ordem eclesiástica não cria a Igreja. O episcopado tem sua origem na Bíblia e ele representaria diante da Igreja a sucessão dos apóstolos. Em relação à fé, os apóstolos não tem sucessores, mas administrativamente possuem os sucessores. Mas o episcopado esta abaixo da Igreja e a Igreja pode removê-lo. Também, como exceção, pode existir a igreja sem episcopado.

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