Somos evangélicos

Dentro do Anglicanismo, consideramo-nos evangélicos ou evangelicais. O que significa isso? Donde vem esta expressão?

Segundo a Wikipedia: “Evangelicalismo é uma concepção originária de “evangélico”, o Evangelicalismo é um movimento teológico originário do Protestantismo, mas que não se limita a ele, que crê na necessidade de o indivíduo passar por uma experiência de conversão (”nascer de novo”, “aceitar Jesus”) e que adota a Bíblia como única base de fé e prática. É distinto do Fundamentalismo cristão, que possui uma interpretação literal da Bíblia e rejeita o conhecimento científico (como criticismo textual) e o diálogo com organizações religiosas que não sejam de mesma doutrina. O teólogo Harold Ockenga definiu o Neo-Evangelicalismo e distinguiu-o do fundamentalismo em 1947. O Evangelicalismo tem raíz no Pietismo germânico e no Metodismo britânico, nasceu na região de fronteira agrícola no oeste dos Estados Unidos, durante os Grande Despertares e teve como expoentes a Jonathan Edwards, John Wesley, Charles Finney, Dwight L. Moody, Harold Ockenga e Billy Graham. Nos Estados Unidos várias escolas aderem à esse movimento teológico, como o Fuller Theological Seminary, em Pasadena, California, Talbot College (California), Wheaton College em Chicago, Gordon-Conwell Theological Seminary em Boston.”

O site http://www.erasmo.kit.net/verbetes_teologia.htm assim o define: “Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais, enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. Quem se identifica com este movimento é um “evangélico conservador” (ou “evangelical”) que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion, traduzido como boas-novas, notícias de alegria, sendo euangelizomai o verbo correspondente, que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim, evangelium.

Desde a Reforma Protestante, a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos, que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia), em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. Na Alemanha, na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. Na Inglaterra, é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). Na atualidade, os evangélicos são aqueles grupos, essencialmente protestantes, que frisam a necessidade do evangelismo, da expiação mediante o sangue de Cristo, da regeneração, da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. Usualmente, esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade, rejeitando as tradições, os concílios, etc., como padrões de fé e prática. Assim, o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta reacionária aos costumes antigos. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico.

Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo, o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. A igreja apostólica, os pais da igreja, os movimentos reformistas medievais, pregadores como Bernardo de Claraval, Pedro Waldo, John Wycliffe, John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley, George Whitefield, os batistas, congregacionais e metodistas. No século XIX, surgiram Charles Spurgeon, George Williams, Hudson Taylor, Charles Finey, D. L. Moody, as cruzadas evangelísticas de Billy Graham, e outros. Com a “autoctonização” das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo, o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global.

Dom Robinson Cavalcanti, Bispo da Diocese do Recife, Comunhão Anglicana, assim pontua o que é um Anglicano Evangélico:

  1. Um anglicano evangélico se considera parte da comunidade protestante
  1. Um anglicano evangélico enfatiza o conceito histórico-confessional-orgânico-espiritual da Igreja mais do que o institucional
  2. Um anglicano evangélico privilegia a Palavra aos Sacramentos
  3. Um anglicano evangélico prefere a simplicidade no culto
  4. Um anglicano evangélico enfatiza o caráter missionário da Igreja
  5. Um anglicano evangélico tem um compromisso com o pluralismo (Evangélico: uma maneira de ser anglicano

Dentro desta perspectiva, a Igreja Anglicana Reformada é “Evangélica” ou Reformada. Queremos assim andar no compasso da maior fatia dos anglicanos em todo mundo.

Fomos chamados a pregar o Evangelho neste país, dominado pela superstição, por crendices, por um cristianismo nominal e legalista. Fomos chamados a anunciar a vida e a liberdade em Cristo.

Em síntese, poderíamos dizer que assim somos:

TEMAS

POSTURAS

X       ÊNFASE HISTÓRICA: REFORMA
X       AFINIDADES: PROTESTANTES
X       FONTES TEOLÓGICAS: REFORMADORES/ EVANGÉLICOS
X       QUADRILÁTERO DE LAMBETH: ESCRITURAS, CREDOS, TRADIÇÃO, EPISCOPADO
X       REVELAÇÃO: ESCRITURAS
X       FERRAMENTAS CIENTÍFICAS: SIM, COM RESERVAS
X       SOTERIOLOGIA: CONVERSÃO (CALV. / ARM.)
X       ÉTICA: MORALISTA, MODERADA / SOCIAL
X       INSERÇÃO SÓCIO-POLÍTICA: SIM, DIFUSA
X       LOCUS LITÚRGICO: PÚLPITO
X       LITURGIA: DESPOJADA/ MODERADA
X       DIVÓRCIO: SIM, COM RESERVAS
X       ORDENAÇÃO FEMININA: DIVIDIDOS
X       ORDENAÇÕES/ UNIÕES GAYS: NÃO

(BASEADO EM “CORRENTES DO ANGLICANISMO”, DR – IACSA, 13/03/2006)

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