Somos Anglicanos

A Igreja Anglicana Reformada não faz parte da Comunhão Anglicana porque não está ligada à Sé de Canterbury (Cantuária). Mas isso não quer dizer que não sejamos anglicanos, embora muitos afirmem isso.

A Idéia de Comunhão Anglicana só surgiu no século XIX, com as Conferência de Lambeth. O que sempre existiu e existe ainda são igrejas nacionais que mantém laços fraternos entre si, além de alguns elementos essenciais. Isso encontramos no chamado Quadrilátero de Lambeth de 1886, que é uma base (não a única) para se identificar uma Igreja Anglicana. Do que trata esse quadrilátero?

1.As Santas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos, como “contendo todas as coisas necessárias para a salvação”, e como sendo a regra e o padrão final de fé.

2.O Credo dos Apóstolos, como o Símbolo Batismal, e o Credo Niceno, como suficiente declaração da fé Cristã.

3.Os dois Sacramentos ordenados pelo próprio Cristo – o Batismo e a Ceia do Senhor – administrados pelo uso regular das palavras de Cristo que os instituiu e dos elementos por Ele ordenados.

4.O Episcopado Histórico, adaptado localmente nos métodos de sua administração para as variadas necessidades das nações e povos chamados por Deus na Unidade de Sua Igreja.

Além disso, os chamados “anglicanos ortodoxos” , nos quais nos enquadramos, insistem que os Quadrilátero ainda diz pouco, pois daria margem a uma elasticidade enorme e a própria descaracterização do anglicanismo como tem acontecido nas chamadas “províncias liberais” ou “revisionistas” ou “opinionistas”. Os “ortodoxos” afirmam ainda a necessidade de termos como referenciais teológicos e doutrinários o Livro de Oração Comum de 1662, o Ordinal de 1662 e os XXXIX artigos de religião, sem os quais perde-se o aspecto histórico-teológico de nossa fé.

Hoje há grupos anglicanos chamados “continuantes”, alguns de grande seriedade, outros de seriedade questionável. Há igrejas que tem bispos e clero, mas não têm povo. Queremos aqui considerar alguns grupos que achamos importantes:

1. A “Reformed Episcopal Church” dos Estados Unidos, fundada pelo Bispo George Cummins, em 1873 devido ao surgimento do anglo-catolicismo e sua influência na Igreja Anglicana Americana; uma igreja muito séria e comprometida com a causa do Evangelho. Seu Bispo Presidente é o Revmo. Dom Leonard Riches.

2. A “CANA – Convocation Anglican of North America” ligada à Província Anglicana da Nigéria e a “AMiA – Anglican Mission in America” ligada à Província Anglicana de Ruanda, que são provisões ortodoxas para paróquias e missões anglicanas nos Estados Unidos e Canadá.

3. A “Diocese do Recife”, sob autoridade primacial da Província do Cone Sul da América, cujo bispo é Dom Robinson Cavalcanti, composta por ex-clérigos e ex-paróquias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que detém os direitos do Livro de Oração Comum Brasileiro, do qual fui um dos autores e organizadores.

4. A Igreja Anglicana Reformada, fundada no Brasil, no estado de São Paulo, egressa da Igreja Episcopal Reformada do Brasil, hoje extinta. Está sob autoridade do Revmo. Dom Francisco Buzzo e do Revmo. Bispo Coadjutor Dom Josep Rosello. Está presente em São Paulo, Rondônia, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. É uma igreja em rápida expansão e que está em processo de Comunhão plena com a AMiA.

Ser Anglicano não é pertencer a Cantuária. É ter um compromisso com o Evangelho e com o Reino segundo a visão exposta no Quadrilátero, no LOC, no Ordinal e nos XXXIX artigos. Somos Anglicanos!

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