Visando responder adequadamente àqueles que nos procuram, quero nesta série de artigos responder algumas perguntas que acredito serem pertinentes aos que nos procuram e querem saber um pouco mais sobre anglicanismo reformado. Nossa tarefa nesta série de dizer com clareza quem somos, quem não somos e o que queremos ser para respondermos ao desafio de sermos uma igreja relevante no século XXI onde o Senhor nos colocar.
~ Virgilio Cezar Torres – Teólogo
Somos Católicos
Quem entra numa Igreja Anglicana Reformada durante os nossos ofícios vai encontrar os nossos clérigos vestidos de tal modo que muitos poderão dizer: “É igual à igreja católica”, fazendo, assim, referência a Roma.
De fato, a Igreja Anglicana é uma Igreja Católica. Mas o que significa isso?
Em primeiro lugar, temos que entender o que significa Católico. Essa palavra de origem Grega significa “Universal”, “para todos os povos e épocas”. Sendo assim, a palavra deveria ser entendida por todos os que a leem como sinônimo de “cristã”. Toda igreja cristã é católica. E o que nos faz católicos não são as vestes que utilizamos (mais adiante, em outro artigo, falaremos sobre as vestes). O que nos faz católicos, não é a nossa estrutura eclesiástica ou a nossa adesão ao papa de Roma. O que nos faz católicos é aquilo que cremos. Além disso, nenhuma instituição pode arrogar a si o direito exclusivo de ser a Igreja de Jesus Cristo sob pena de errar gravemente.
Os Anglicanos aceitam como base de sua fé aqueles que são conhecidos como “Credos Históricos”, ou seja, o Credo (ou Símbolo) dos apóstolos; o Credo Niceno-Constantinopolitano, um pouco mais amplo que o anterior; e o Credo Atanasiano. Todos eles refletem a crença da Igreja Cristã e uma igreja que não se conforme a eles não pode ser considerada cristã.
Os credo históricos nos falam da Fé na Santíssima Trindade, pai Filho e Espírito Santo; da dupla natureza de Jesus, a divina e humana, inseperáveis; do Espírito Santo que falou pelos profetas e que procede do Pai e do Filho; falam ainda da nossa fé na Igreja, na comunhão de todos os cristãos (santos), no perdão dos pecados, no juízo final, na vida eterna. Uma igreja que nisto crê é uma Igreja Católica.
Além disso, os “39 artigos de Religião”, definidores históricos da Teologia Anglicana, nos colocam ainda mais perto da “Igreja Católica”: Os Artigos 1 a 5 reafirmam o que os Credos Históricos dizem: Da fé na SSMA. Trindade (1); do Verbo ou Filho de Deus, que se fez verdadeiro homem (2); da descida de Cristo ao Hades (3); da Ressurreição de Cristo (4); do Espírito Santo (5). Portanto, somos católicos porque somos cristãos.
Há que deixar muito claro que o conceito bíblico de igreja difere muito de conceitos humanos ou institucionais: A igreja Universal é a reunião de todos os crentes, em todas as épocas e em todos os lugares. Segundo Robert F. Turner “A Igreja “Universal” é um relacionamento dos santos com Deus. Existe tanto no céu como na terra (Efésios 3:15); o Senhor acrescenta “membros” (Atos 2:47); ingresso através do batismo (1 Coríntios 12:13); todos os santos estão nela (Gálatas 3:27); somente os salvos (2 Timóteo 2:19); um só pastor/mestre (Mateus 23:8); descrita como “assembléia” figuradamente (Hebreus 12:22-23); Satanás não prevalece contra ela (Mateus 16:18). Ja a “Igreja Local”é um relacionamento de santos com santos, terrestre, limitada (Filipenses 1:1); nós nos juntamos a ela (Atos 9:26); ingresso/participação através da aceitação de outros santos (3 João 10); alguns determinados santos estão nela (1 Coríntios 1:2); algumas pessoas que não são “dos nossos” estão nela (1 João 2:19); pastores humanos estão aqui (1 Pedro 5:2); reúne-se literalmente (1 Coríntios 14:23); Satanás pode e, às vezes, consegue prevalecer contra ela (Apocalipse 2:5. A igreja “universal” é um relacionamento de indivíduos com Deus que vem em primeiro lugar e existe enquanto alguns indivíduos andam na verdade (3 João 3-4), apesar dos atos e das palavras de homens. A igreja “local” é um laço adicional, de santos com santos, que fazemos pela vontade de Deus para que possamos funcionar como uma unidade organizada (ou seja, funcionar coletivamente) para cumprir o divino propósito dele(*).
Ser Católico, não significa pertencer à Igreja de Roma. Os Ortodoxos são Católicos, os protestantes são católicos, todos os verdadeiros cristãos são católicos.
No início deste artigo, dissemos que somos uma igreja católica e não a igreja católica. N a verdade, somos parte a Igreja de Cristo. No Credo Niceno, afirmamos que cremos na “Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”. Vamos ver o que isso significa:
Una: é uma só, não tem divisões, porque foi fundada pelo próprio Jesus Cristo. As denominações, confissões, federações de igrejas ou comunhões fazem parte dela, mas não a dividem;
Santa: Igreja, significa “assembleia, chamados para fora”. É um grupo seleto, o grupo dos seguidores de Jesus Cristo chamado por Ele mesmo e que vive para Ele mesmo. É santa porque seu fundador é santo, mas é também pecadora porque formada por homens falíveis.
Católica: como já vimos, Universal, para todos; e
Apostólica: porque está fundada na doutrina dos apóstolos, expressa nos credos.
Por isso tudo, podemos afirmar sem medo: Somos Católicos!
(*) http://www.estudosdabiblia.net/2000219.htm.
Achei muito bom este texto sobre anglicanismo.
Paz Bem.
Rev. Virgilio.
Excelente texto. É sempre bom tirarmos da mente das pessoas aquela idéia de que Igreja Católica é somente a Igreja Romana.
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